Leite Derramado

Leite Derramado

Leite Derramado – Chico Buarque – 2009 – 195 páginas – Cia das Letras

Um homem centenário conta suas memórias em um leito de hospital humilde, confessa seus segredos mais íntimos a enfermeiras e transeuntes pouco interessados. O leitor é o ouvinte mais atento entre os que observam esse cenário, o único que acompanha tudo que é dito do começo ao fim e pode ligar as pontas soltas do discurso do idoso.

Afetado pelo efeito dos medicamentos e da idade avançada, os relatos apresentam-se de maneira entrecortada e repetitiva, que até enjoaria não fosse a percepção de que nada ali é feito por acaso. Com o passar do romance a visão que temos do narrador amadurece e fica clara sua parcialidade, sua capacidade de escolher o que falar de mais e de menos. Ilusões, fantasias, preconceitos e muita ironia…tudo fica nas entrelinhas. Muitas vezes me peguei rindo de uma frase muito maquiada, escondendo algum defeito inconfessável, como faria o próprio Dom Casmurro. A influência de Machado é clara e se faz presente do começo ao fim, adaptada com talento à literatura contemporânea.

A história narrada por Eulálio d’Assumpção é um retrato completo do Brasil dos últimos séculos. Desde o avô ligado à corte de D. Pedro I e o pai conservador que vivia aventuras eróticas na Europa e mantinha amantes sob o nariz da mulher, até o neto comunista que acaba desaparecido durante o regime militar. Antes e depois deles viveram muitos Eulálios Junior, Neto, Filho…que traçaram a linhagem heterogênea dos Assumpção ao longo dos tempos. O ponto principal que guia o enredo, porém, é Matilde e sua trajetória de amor e ódio com Eulálio desde sua infância até o matrimônio, o manicomio e, enfim, a morte.

Uma série de combinações improváveis de épocas e espaços resultam num relato sucinto e verossímil, cada personagem tem sua relevância e complexidade psicológica. Quem espera acontecimentos surpreendentes vai se decepcionar com o livro: a narrativa segue em ritmo constante, apesar de não cronológico. A beleza fica mesmo por conta das reflexões, expostas por meio de linguagem acessível e pouco rebuscada, muita coisa pode passar batida e parecer sem sentido a um leitor que trate a obra de maneira superficial.

Websérie Cápsula

Websérie Cápsula

O que você faria se um dia acordasse em um lugar estranho, ao lado de uma pessoa desconhecida – tão confusa quanto você – e vestindo roupas que não são suas? essa é a proposta que guia a Websérie Cápsula, produção independente que será veiculada através de um canal no Youtube a partir do dia 13.

A primeira temporada trará 6 episódios de 10 minutos, “Trancados” é o nome do primeiro capítulo, que será lançado essa semana no dia 13/09. O que não falta é vontade, dos estudantes de cinema e atores por trás do projeto, de lançar a temporada inteira. “Caso o retorno seja positivo, começaremos a trabalhar nos episódios restantes“, afirma Thalles, um de seus idealizadores. Ele comenta ainda que esse episódio de estréia trará uma série de dúvidas, mas garante que todas serão resolvidas ao longo de uma trama cheia de suspense, mistério e reviravoltas.

Tudo começa quando Pedro (Thalles) acorda ao lado de Clara (Larissa Ribeiro) em uma sala fechada, ambos não estão entendendo nada. “O motivo desses dois jovens estarem confinados nessa sala é realmente perturbador, fiz muitas pesquisas e estudos para escrever sobre isso.” diz o estudante. Com o tempo os dois percebem que fazem parte de algo muito maior do que imaginavam, tudo isso a partir de uma cápsula que mudou tudo.  Intrigante, heim?

A proposta da série em si já chega com o impulso da inovação em dois aspectos. O formato de websérie com curta duração, que provavelmente vai significar uma abordagem bastante dinâmica, sem tempo para enrolação. Acompanhado de seu tema, a ficção científica, assunto delicado e pouco utilizado nas produções nacionais.

Se interessou? Então acompanhe as notícias sobre a série através do twitter (@webseriecapsula) e na página do facebook Websérie Cápsula.

Confira também o trailer de “Trancados”:

Filme – 360

Filme – 360

360 – 2011 – 110 min – IMDb

Maria Flor contracenando com o astro Anthony Hopkins? Esse estranhamento é normal para alguém que olha o poster de 360, filme dirigido por Fernando Meirelles, que traz esse mix de celebridades e nacionalidades.O subtítulo do filme traduz bem sua essência: A vida é um circulo perfeito – algo que é provado por cada um dos personagens, que de alguma forma influencia na vida de outros por meio de suas escolhas. Aqui entra a parte mais original do filme: ele não segue pelos caminhos clichês buscando um final feliz, pelo menos não em todas as histórias . Alguns se resolvem, alguns se arrependem e outros só continuam na dúvida, como na vida. Bastante multinacional o filme tem cenas na Europa, no Brasil, nos Estados Unidos e as personagens estão em constante movimento, locomovendo-se pelo globo em busca de resoluções ou apenas fugindo de situações que se tornaram insuportáveis.

Mirka tenta a sorte como prostituta e viaja pela Europa para comparecer a programas, seu sonho é enriquecer e ajudar sua irmã mais nova Anna. Michael Daly (Jude Law) é um homem de negócios que passa por dificuldades em seu casamento e resolve contratar os serviços de Mirka, o encontro acaba não dando certo mas cria no empresario um sentimento de culpa. Mal ele sabe que sua mulher Rose (Rachel Weisz) mantêm um caso com um fotógrafo brasileiro, Rui (Juliano Cazarré), que por sua vez mora com a namorada Laura (Maria Flor) em Londres. Laura descobre a traição e resolve voltar para o Brasil, nessa jornada confusa de retorno a menina conhece um homem mais velho (Anthony Hopkins) com quem conversa durante boa parte do vôo e quase se mete em problemas ao se envolver com Tyler (Ben Foster), um ex-presidiário recém liberado.

Muitas ideias construtivas são discutidas nos diálogos entre as personagens, as resoluções ficam longe da noção do certo e do errado, estão na dimensão do imediato, de saber sua vontade aqui, agora, e não perder a oportunidade de arriscar algo completamente novo, ou completamente louco.

Agosto

Agosto

Agosto – Rubem Fonseca – 1990 – 366 páginas – Editora Agir

“Agosto” foi um daqueles livros que precisei ler para a escola, comecei achando que seria super chato e acabei devorando. Mais que um romance policial, essa obra é um romance noir que mistura ficção e realidade na medida certa, para interessar sem virar aula de História do Brasil. Rubem Fonseca traz para as páginas toda sua experiencia, montando personagens interessantes e complexos, interligados por diversos acontecimentos e reviravoltas.

O enredo todo se passa em agosto de 1954, quando o governo de Getúlio Vargas passa a perder o apoio popular, o que só se agrava com a atuação de Carlos Lacerda, um jornalista polêmico que atrai a atenção do povo contra o governo. Com a popularidade de Lacerda aumentando, o chefe da guarda pessoal de GV se vê obrigado a “tira-lo do mapa” em nome da segurança do presidente. A execução do crime não sai dentro do planejado e o jornalista acaba apenas ferido, pronto para voltar a ativa acusando Getúlio do atentado. Esses são fatos reais, o episódio da Rua dos Toneleros, em Copacabana, balançou ainda mais a estabilidade do governo e aumentou a pressão sobre o presidente que, pouco depois, acabou se suicidando.

A ficção começa quando um segundo crime acontece, quase simultaneamente: o assassinato de um milionário em seu apartamento luxuoso no Rio. Nesse contexto uma figura atipica da polícia carioca é ativada para tomar conta das investigações: Comissário Alberto Mattos, um guarda honesto e justo que mantém sua integridade no plano profissional. Mattos é a personificação do herói moderno, que não se identifica com a realidade brasileira corrupta, mas também não é uma figura idealizada – o policial não mantém laços sólidos com ninguém, é uma pessoa solitária e que, além disso, possui uma Úlcera que o mata pouco a pouco. Em cima da vida pessoal do comissário e de suas investigações a trama se desenrola envolvendo os mais variados tipos de pessoas reais e ficticias, tudo envolto em um mistério e suspense que não termina com o livro.

O romance abrange todos os campos da vida brasileira: particular, empresarial e político. Não é apenas uma história policial mas um quebra cabeças montado racionalmente, que nos oferece um desfecho realmente surpreendente, encaixado nos ideais pessimistas de um romance noir. A obra virou uma mini série com 16 capítulos transmitida pela Globo em 1993 (é, faz tempo). Com certeza é uma obra de literatura nacional de alta qualidade, que vai te fazer ir atrás de outros livros do autor.

Livro – A Culpa é das Estrelas

Livro – A Culpa é das Estrelas

The Fault in our Stars (EUA) – 2012 – 286 páginas – Ed. Intrínseca

Corri para a livraria para comprar A Culpa é das Estrelas depois do especial #CulpaDoJohnGreen que mobilizou todos os fãs do autor, os nerdfighters da internet que seguem seus videos no canal do Youtube e os leitores emocionados com a obra. Logo de cara eu já percebi que alguma coisa diferente eu encontraria nessa história, eu só não sabia o que, porque tomei o cuidado não ver nenhuma sinopse, NADA, antes de ler – só para aumentar a surpresa. Só para dar uma ideia: o livro conta a história (em primeira pessoa muito bem construida) de Hazel, uma adolescente com câncer nos pulmões que carrega consigo uma única certeza: a de estar morrendo. Sua vida segue de maneira bem monótona e arrastada, até que conhece Augustus Waters em um grupo de apoio, um jovem bonito e atraente que superou o câncer e, em suas palavras, “está em uma montanha-russa que só vai para cima”.

O comentário do Markus Zusak que na capa da edição da Intrínseca resume muito bem a essência do livro: “Você vai rir, vai chorar e ainda vai querer mais.” Acontece que o livro é repleto de verdades sobre nós mesmos, reflexões que nos deixam pensando sobre nossos próprios valores e sobre o lugar que ocupamos no mundo. A visão realista de tudo é o que faz a diferença no casal protagonista, valorizando o tempo presente e a força que se tem para viver cada dia, como se fosse o último. O que me surpreendeu foi a capacidade do livro de realmente me fazer rir, em momentos que eu deveria estar chorando e perceber que era exatamente isso que as personagens estavam fazendo: levando tudo com senso de humor e ironia (apesar das eventuais crises de tristeza e raiva).

Em nenhum momento a história se entrega ao clichê, o leitor conhece um outro lado dos pensamentos de uma pessoa com câncer, cada página reflete a intensa pesquisa feita pelo autor para fornecer legitimidade a tudo que está escrito ali. John Green é com certeza um escritor que fala a língua da geração atual e não se entrega ao texto superficial, a leitura não chega a ser complicada mas mostra que não é preciso usar palavras difíceis para demonstrar grandes pensamentos e sentimentos.

Essa obra, na verdade, é toda feita disso: sentimentos. É muito difícil falar mais do que o livro despertou em mim sem revelar muito do seu enredo, e eu acredito que essa seja uma história para se surpreender e emocionar a cada página. Para conhecer mais sobre o autor vale dar uma olhada em seu canal no Youtube, o Vlogbrothers, que mantêm junto com seu irmão Hank. Recentemente ele até gravou um video agradecendo aos fãs brasileiros pelo carinho da ultima semana.

(créditos da fanart)

Sentimento do Mundo

Sentimento do Mundo

Sentimento do Mundo – Carlos Drummond de Andrade – 1940

Cia. das Letras – edição de bolso – 2012

“Sentimento do Mundo” é um dos novos livros da lista obrigatória da Fuvest e chega esse ano às mãos de milhares de jovens com a temida alcunha de “leitura para vestibular”. Tenho que admitir que assim como qualquer outro estudante eu não sou a maior fã dessa relação. José de Alencar, Almeid Garret e Eça de Queirós juntos podem sim causar sono nos leitores mais preparados. Por essas e outras, essa é uma resenha de apelo: por favor, dêem uma chance ao Drummond! Ele pode ser o salvador do tédio dos estudos de literatura (com ajuda de Jorge Amado, outro grande nome que não sai da lista a um bom tempo).

O livro contendo 28 poemas foi publicado em 1940, no contexto do Estado Novo de Getúlio Vargas e da ascensão dos regimes totalitários nazistas e fascistas na Europa. Não é a toa que a atmosfera negativa se faz presente em todas as páginas. Seja por meio de crítica ou ironia, o autor usa da única arma que tem em mãos para (tentar) entender e denunciar o mundo que vê: as palavras.

O primeiro poema, que empresta o título ao livro, já mostra muito de um eu-lírico que assiste as catástrofes do mundo e não pode fazer nada. As primeiras páginas desse livro são repletas de pessimismo, de falta de perspectiva, de nostalgia do autor ao lembrar de sua terra natal. Acompanhamos a reviravolta dessa visão em “O Operário no Mar”, que mostra a ascensão, mesmo que pequena, de uma classe que luta por seus direitos e vai de encontro à burguesia dominante. Junto à essa mudança aparece uma pontinha de esperança e o eu-lírico chega a aspirar: “Sim, quem sabe se um dia o compreenderei?” A estrutura do poema também acompanha essa quebra: em prosa, sem versos, mas cheio de linguagem poética.

A partir desse ponto o foco passa a ser a crítica à burguesia e sua alienação perante os eventos do mundo. Um eu-lírico bem mais irônico aparece em “Privilégio do Mar” e “Inocentes do Leblon”, para denunciar a ignorância dos ricos que se fecham em seus caros apartamentos para fugirem da dura realidade. Essa ideia fica bem sintetizada no verso: “O mundo é mesmo de cimento armado”.

O pessimismo e a visão quase apocalíptica continua aparecendo em poemas como “Canção de Berço” e “Os Ombros Suportam o Mundo”. A nostalgia volta a ter vez na linda “Ode no Cinquentenário do Poeta Brasileiro”, dedicada a Manuel Bandeira e em “Lembrança do Mundo Antigo”, carregado de ironia e triplas exclamações que reforçam a indignação do poeta.

Os últimos textos apresentam como novidade o sentido solidário do autor, que aparece muito nítido em “Mãos Dadas” e “Mundo Grande”. Nesse momento os pontos ressaltados são: a falta de comunicação entre os homens, a valorização do tempo presente e a esperança de um futuro mudado. Renunciando aos seus temas pessoais o poeta passa a ter consciência de grupo, mostrando assim mais do seu posicionamento político socialista, criticando fortemente o capitalismo em “Elegia 1938” (chega a chamar o Mundo de Grande Máquina).

Tentando achar um paralelo com o mundo moderno não pude deixar de pensar nos grafites do Banksy, carregados de críticas à alienação, às guerras e ao capitalismo. São muitas as obras do artista espalhadas pelo mundo, entre elas muitas estão em Londres, como a famosa imagem de dois policiais se beijando.

Outras leituras de vestibular:

Til – José de Alencar

Série 3 Porcento

Série 3 Porcento

Para assistir o episódio piloto no YouTube clique aqui

Série nacional de ficção cientifica que promete mudar muito a perspectiva que temos sobre nossa produção cultural como um todo: essa é minha visão sobre a série 3 Porcento. Claro que ainda é cedo para dizer algo assim, já que só conhecemos o episódio piloto da série e sua continuação ainda está em aberto, mas precisamos torcer, certo? A melhor maneira de apoiar esse projeto e honrar a cultura nacional é divulgando e espalhando esse único – e ótimo – episódio.

Em um futuro distópico conhecemos uma sociedade dividida em duas partes, uma muito próspera e outra submissa. Ambas são completamente isoladas e os habitantes do lado “ruim” têm a única chance de passarem para o que chamam de “o lado de lá” quando completam 20 anos, através de um duro processo de seleção. Detalhe: só 3% dos candidatos serão escolhidos, o resto precisa dar meia volta e sobreviver “do lado de cá”. Esse episódio introdutório nos mostra de modo geral como funciona a árdua seleção e a frieza das pessoas que a promovem.

Fica muito difícil não comparar a abordagem dessa série com muitas outras distopias, mas não esperem encontrar nela “mais do mesmo”. Toda a atmosfera cinza do episódio causa uma sensação estranha no espectador que está sempre esperando algo acontecer, nesse sentido a direção foi impecável, o desconforto permanece do começo ao fim. A abordagem do processo também é muito original, mostrando que o “lado de lá” quer medir não a força dos candidatos, mas sim sua inteligência e proeza para resolver desafios sob pressão. E que pressão!

Quando acabei de assistir fiquei muito animada e não pude deixar de lado minha curiosidade de saber mais sobre a série, por isso entrei em contato com uma das atrizes para ela contar um pouco mais sobre como foi essa experiencia. Essa foi minha maneira de me envolver com a série e entender um pouco mais sobre o que está por trás dela, confira algumas perguntas e respostas que trocamos durante essa conversa.

Rita Batata, atriz paulista de 26 anos. Já atuou em diversas peças de teatro, curtas e longas metragens. Para conhecer um pouco mais sobre seu trabalho é só dar uma olhada no seu site. Ela conta que a série foi filmada em 2009  durante 6 dias, em um lugar amplo, frio e nada acolhedor, o que ajudou muito no envolvimento geral na atmosfera da série.

Sassaricadas: A primeira coisa que chama atenção em 3% são os atores, jovens que conseguem lidar com a situação absurda do processo seletivo dando muita credibilidade aos seus papeis. Como foi o envolvimento e a entrega do elenco? Como e quando foi seu primeiro contato com o projeto? 

Rita: Nós tivemos 3 semanas intensas de ensaios, nas quais trabalhamos a imersão dentro da realidade proposta na série. Antes de receber o roteiro do piloto, trabalhamos improvisações tanto das situações do roteiro quanto situações extras que nos deram estofo para a abordagem do roteiro. Eu cheguei na série por teste de elenco. Primeiro fiz um teste no qual eu tinha recebido antes uma cena que mesclava a cena de entrevista da Michele com a da Bruna. O segundo teste foi uma vivência conduzida pelo preparador de elenco da série e também ator Roberto Audio, era um grupo de atrizes, ficamos uma manhã inteira no estúdio fazendo improvisações e por fim cada uma passava por uma cena improvisada de entrevista; eu me senti entrevistada, não tinha um personagem naquele momento. Os três diretores acompanharam toda a vivência que também foi gravada.

S: Foi muito inusitado montar uma série distópica nacional, já que no Brasil esse gênero é muito pouco abordado. Pelos mais de 13.000 likes na página do face podemos ver que ela teve uma ótima aceitação. A repercursão até agora foi dentro das expectativas?
R: No que me permite dizer, a mim superou as expectativas, embora, quando eu li o roteiro, eu não pensei na possibilidade de uma recusa do público, por se tratar justamente de uma abordagem pouco explorada no Brasil e por eu mesma me sentir retrada nessa história.
_____________
S: A ideia apresentada no piloto é bem original e já são tem muitas interpretações sobre o roteiro rolando na internet. Na sua opinião, qual é a principal crítica da série?
R: Pra mim a série cria uma realidade paralela para esteticamente colocar um lente de aumento na situação de pressão que a maioria dos jovens passam no momento em que “devem” escolher, decidir o que querem ser, fazer de suas vidas; essa angústia de encontrar a resposta que será o caminho traçado de suas vidas é extremamente desumana e cada vez mais gera insegurança e infelicidade; a série aborda esse momento em que o jovem deve romper o ninho estando pronto ou não para voar, é a necessidade contemporânea de suprir o tempo natural das coisas, não há mais espaço para os ritos de passagem, por isso o universo da série é hostil.