Adultos sem filtro e outras crônicas

Adultos sem filtro e outras crônicas

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Comecei a pensar um pouco sobre minhas leituras ultimamente e percebi que estava faltando alguma coisa. Estava super focada em ler os materiais da faculdade, de ter contato com as grandes obras da literatura, mas faltava o essencial: um livro para o cotidiano e sobre o cotidiano. Ninguém consegue ler Tolstói ou Nietzsche dentro de um ônibus sacolejante ou durante a espera do dentista – pelo menos eu não consigo. Cheguei a “Adultos Sem Filtro” assim, à procura de um livro para levar na bolsa e ler quando quisesse. Ele cumpriu exatamente esse papel.

Thalita Rebouças é super reconhecida como autora de livros infanto-juvenis, eu lembro de ter lido “Tudo Por um Pop Star” a muito tempo e pensar que ela é como uma Meg Cabot brasileira – era viciada na Meg Cabot na época, mas quem não era? Enfim, na minha busca por um livro-para-ler-em-qualquer-lugar me deparei com essa, que é a primeira publicação de Thalita voltada para adultos. Uma compilação de crônicas que a autora escreveu para o site da VEJA Rio, entre outras que tinha guardadas, unidas e separadas por tema. Tudo com muito bom humor.

Desde taxista sentimental até uma senhora pedindo o telefone da Fernanda Torres, tudo é narrado de forma muito engraçada e o conjunto das crônicas acaba revelando muito sobre a personalidade da própria autora. Como em qualquer livro desse tipo, há altos e baixos, algumas muito boas, outras mais fracas. O livro entrega o que promete, uma leitura agradável e descompromissada que fica nítida desde a capa divertida da editora Rocco. Posso garantir que é mais gostoso do que ler a Caras no cabeleireiro.


Adultos Sem Filtro e outras crônicas 
– Thalita Rebouças – 2012 – Editora Rocco

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As Vantagens de Ser Invisível

As Vantagens de Ser Invisível

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Para falar de “As Vantagens de Ser Invisível” nem preciso separar a resenha em duas. O livro e sua adaptação tem tanta sintonia, que chegam a ser quase a mesma coisa, um completa o outro – o que já era de se esperar, já que o diretor do longa é o próprio Stephen Chbosky. O filme dá vida e música – com uma trilha sonora incrível, por sinal – a tudo aquilo que o livro conta.

Charlie acaba de entrar no colegial e precisa encarar sua posição de novato na escola. Sua percepção sobre tudo a seu redor é bastante peculiar, isso graças a todos os problemas que encarou na vida – o suicidio do melhor amigo e a morte de sua tia. No começo tudo é muito complicado e ele se sente como um alienígena, até que começa a conversar com seu professor de literatura, que consegue entender sua personalidade. A maior mudança, porém, ocorre quando Charlie conhece Patrick e Sam – um casal de irmãos veteranos que vai mudar totalmente sua vida, dentro e fora da escola.

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A parte mais gostosa é acompanhar os pensamentos e descobertas de Charlie, mergulhar em sua mente ingênua e inteligente. Algumas cenas simples são expressas de maneira tão delicada que viram momentos marcantes. Toda a obra é cheia de referências a livros da literatura clássica americana e a álbuns de bandas famosas da época.

Para prolongar um pouquinho o envolvimento com a obra vale a pena baixar a trilha sonora do filme, principalmente a música Heroes do David Bowie, a famosa “música da cena do túnel”. Quando ler/assistir aposto que você também vai querer ouvir de novo e se sentir infinito.

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Apesar de ter sido publicado em 1999, o livro segue a tendência bastante atual da sick-lit – nomenclatura infeliz dada aos livros young-adult que tratam de doenças e assuntos psicológicos complicados. Dois exemplos bastante atuais dessa modalidade são A Culpa é das Estrelas e O Lado Bom da Vida. Mas de doente essa literatura não tem nada: as interpretações mais profundas escondem-se sob a linguagem informal, mas uma boa leitura pode gerar reflexões valiosas para jovens e adultos.

Livro: The Perks of Being a Wallflower – Stephen Chbosky – 1999 – Editora Rocco

Filme: idem – idem – 2012 – 102 min – IMDb