As Vantagens de Ser Invisível

As Vantagens de Ser Invisível

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Para falar de “As Vantagens de Ser Invisível” nem preciso separar a resenha em duas. O livro e sua adaptação tem tanta sintonia, que chegam a ser quase a mesma coisa, um completa o outro – o que já era de se esperar, já que o diretor do longa é o próprio Stephen Chbosky. O filme dá vida e música – com uma trilha sonora incrível, por sinal – a tudo aquilo que o livro conta.

Charlie acaba de entrar no colegial e precisa encarar sua posição de novato na escola. Sua percepção sobre tudo a seu redor é bastante peculiar, isso graças a todos os problemas que encarou na vida – o suicidio do melhor amigo e a morte de sua tia. No começo tudo é muito complicado e ele se sente como um alienígena, até que começa a conversar com seu professor de literatura, que consegue entender sua personalidade. A maior mudança, porém, ocorre quando Charlie conhece Patrick e Sam – um casal de irmãos veteranos que vai mudar totalmente sua vida, dentro e fora da escola.

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A parte mais gostosa é acompanhar os pensamentos e descobertas de Charlie, mergulhar em sua mente ingênua e inteligente. Algumas cenas simples são expressas de maneira tão delicada que viram momentos marcantes. Toda a obra é cheia de referências a livros da literatura clássica americana e a álbuns de bandas famosas da época.

Para prolongar um pouquinho o envolvimento com a obra vale a pena baixar a trilha sonora do filme, principalmente a música Heroes do David Bowie, a famosa “música da cena do túnel”. Quando ler/assistir aposto que você também vai querer ouvir de novo e se sentir infinito.

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Apesar de ter sido publicado em 1999, o livro segue a tendência bastante atual da sick-lit – nomenclatura infeliz dada aos livros young-adult que tratam de doenças e assuntos psicológicos complicados. Dois exemplos bastante atuais dessa modalidade são A Culpa é das Estrelas e O Lado Bom da Vida. Mas de doente essa literatura não tem nada: as interpretações mais profundas escondem-se sob a linguagem informal, mas uma boa leitura pode gerar reflexões valiosas para jovens e adultos.

Livro: The Perks of Being a Wallflower – Stephen Chbosky – 1999 – Editora Rocco

Filme: idem – idem – 2012 – 102 min – IMDb

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Filme – Sete Dias com Marilyn

Filme – Sete Dias com Marilyn

My Week with Marilyn – 2011 – 99 min – IMDb

Ao contrário do que muitos podem pensar esse filme não nos conta a história de Marilyn Monroe do começo ao fim, porém, tratando de um curto período da vida da atriz consegue revelar muito sobre sua personalidade. O roteiro é adaptado a partir de dois livros de Colin Clark, que passou para o papel um pouco de sua convivencia com a atriz durante a produção do filme O Príncipe Encantado. 

A maior preocupação do roteiro foi mostrar quem era a verdadeira Marilyn, com todas as confusões e todos os vícios de uma mulher mundialmente famosa. Pelos olhos de Colin conseguimos perceber a influência que a atriz exercia sobre todos com sua beleza e seu jeito de ser, e ainda vemos a forma como ela procurava por alguém que a compreendesse. Colin aparecesse justamente quando seu marido, Arthur Miller, resolve voltar para os Estados Unidos após uma briga, deixando ela sozinha na Inglaterra. Há ainda a pressão de Laurence Olivier, um grande astro do cinema que não consegue lidar com as crises de Marilyn e só pensa em terminar as gravações do filme dentro do prazo. Nesse momento de completa insegurança a atriz recorre ao jovem de 24 anos, um mero ajudante do diretor, para viver momentos breves e maravilhosos. Aí reside a essência do filme: a valorização do efêmero e intenso, a beleza das pequenas coisas.

O diretor Simon Curtis não poderia ter escolhido melhor seu elenco. Michelle Williams foi uma Marilyn perfeita, soube interpretar todas as oscilações da estrela, seu modo de ver as relações ao seu redor, sua maneira de viver inconsequente e sua marca registrada: a sensualidade. Até nisso o filme se destaca, pois algumas cenas mostram bem esse lado da atriz, mas em nenhum momento isso fica exagerado ou apelativo. O ator Eddie Redmayne me surpreendeu em seu papel de Colin Clark, soube entrar muito na personagem do jovem tímido, totalmente enfeitiçado pelo charme de Monroe. Não foi a toa que Kenneth Branagh foi indicado ao Oscar por sua atuação como Sir Laurence Olivier, o mais interessante é notar que por trás dos gritos e da aparência durona, há uma enorme admiração por Marilyn e a nostalgia de um grande ator que também já foi jovem e cheio de dúvidas. É legal ver a Emma Watson atuando fora da Hermione também, apesar do papel dela ser pequeno, uma menina que trabalha no figurino, com quem Colin se envolve antes de ser “hipnotizado”.

Enquanto assistia o filme não pude deixar de pensar em outras obras relacionadas com a história. O primeiro livro que veio à minha cabeça por motivos obvios foi A Morte de um Caixeiro-Viajante e outras 4 peças de Arthur Miller que li em uma edição linda da Companhia das Letras, vemos Marilyn brigar com o marido após ler alguns de seus textos, acreditando que ele escrevia sobre ela, por isso é interessante conferir esses seus trabalhos. Também lembrei do livro O Segredo do Chanel n˚5 da Tilar J. Mazzeo (ainda não li mas amei a capa da editora Rocco), só porque, como todos sabem, o perfume era o pijama da atriz.