O Lado Bom da Vida

O Lado Bom da Vida

o-lado-bom-da-vida-pipoca-cafe-e-cinema-500x263Livro: Silver Linings Playbook – Matthew Quick – 2008 – 256 pág. – Ed. Intrínseca

Filme: Idem – David O. Russel – 2013 – 122 min – IMDb 

O Lado Bom da Vida foi uma leitura que já começou sendo especial. Foi o primeiro livro que eu li inteiro no Kindle, me envolvi tanto que nem percebi a diferença e nem tive dificuldade para me adaptar. É impossível não relacionar essa obra a outras que estão fazendo sucesso hoje, como As Vantagens de Ser Invisível e A Culpa é das Estrelas. Todas as três tratam de dramas complicados, narrados de maneira bem humorada e com muito foco na personalidade do protagonista.

Toda a história é contada pelo ponto de vista de Pat, que está internado em um hospital psiquiátrico, mas não lembra bem o porquê e nem quanto tempo isso já dura. Tudo que ele quer é sair desse “lugar ruim” e terminar o que ele chama de “tempo separados” com sua mulher, Nikki. Para isso, ele passa horas praticando exercícios físicos e decide ver apenas o lado bom de tudo, na esperança de reconquista-la. Sair desse lugar não vai ser fácil, ainda mais quando ele descobre que passou anos lá e que não pode nem chegar perto de Nikki.

Silver Linings Playbook

Nesse cenário extremamente confuso, duas pessoas vão ser essenciais na readaptação de Pat à sociedade: Tiffany, a cunhada viúva de um amigo, que passou por momentos horríveis tentando superar a morte do marido e tem tantas crises quanto Pat; e Dr. Cliff, o psiquiatra, que é responsável por vários diálogos interessantes do livro e acaba virando amigo de Pat fora do consultório, já que ambos são torcedores fanáticos dos Eagles.

O mais interessante de ler O Lado Bom da Vida é saber de tudo pelo ponto de vista do protagonista, mas ainda assim ter uma visão geral e saber a verdade por trás da ilusão criada pelo personagem. Com o passar das páginas você começa a ficar indignado que Pat ainda não tenha entendido a situação e não aguenta mais ler sobre “o fim do tempo separados”, e isso só faz você entrar mais no universo do livro. O autor soube passar a personalidade do protagonista para a linguagem do livro, usando repetições de palavras, expressões e até páginas inteiras, para representar sua mente como um turbilhão de ideias.

ladobom2

A adaptação da obra para o cinema está indicada a 8 Oscars, incluindo melhor filme, direção, ator e atriz. Foram muitas as mudanças feitas no roteiro e isso pode incomodar aqueles que se envolveram muito na leitura. Manteve-se a maneira bem humorada de tratar assuntos complicados e todo o elenco conseguiu captar a essência dos personagens criados por Matthew Quick. O filme não dá tanta voz aos coadjuvantes, focando mais na relação peculiar entre Pat e Tiffany, muito bem interpretada por Bradley Cooper e Jennifer Lawrence. Apesar da abordagem diferente, a essência do livro permanece na adaptação e uma obra acaba complementando a outra. Vale a pena ler e assistir, não importa em que ordem.